Minha trajetória e chamado
Embora os conceitos de liderança sejam aplicáveis a diversas esferas — como empresas, governos, escolas e organizações sociais — este livro tem como principal foco a liderança cristã, especialmente no contexto da Igreja. O ambiente religioso exige não apenas habilidade para conduzir pessoas, mas profunda sensibilidade espiritual, compromisso com a verdade bíblica e disposição para servir com humildade. Liderar dentro da comunidade de fé é um chamado que envolve mais do que técnica: exige caráter, discernimento e um coração alinhado ao propósito de Deus.
Sou pastora auxiliar há mais de 30 anos, servindo fielmente ao lado de meu esposo e de outros pastores titulares, sempre debaixo de cobertura espiritual e eclesiástica. Essas três décadas de ministério me ensinaram que a liderança não é um cargo que se ocupa, mas uma responsabilidade que se carrega diariamente. Vi líderes começarem bem e terminarem mal. Vi outros que nunca buscaram títulos, mas deixaram um legado inesquecível. A diferença, percebi, estava no coração. Liderar com consciência é liderar a partir de um coração tratado, curado e submisso.
Além da experiência prática no ministério, também sou formada com mestrado em Liderança e Gestão de Pessoas, o que me dá uma base sólida para tratar desse tema não apenas no aspecto espiritual, mas também humano e organizacional. O conhecimento acadêmico não substitui a unção, mas a complementa. Sempre acreditei que devemos oferecer a Deus o nosso melhor, e isso inclui estudar, pesquisar e compreender como as pessoas funcionam, como os grupos se comportam e como as organizações podem ser mais saudáveis.
Sobre minha experiência e meu preparo — isso me faz pensar em Bezalel, talvez o maior artista das Escrituras. Em Êxodo 31:1-3, Deus não apenas o chamou; Ele o encheu do Seu Espírito, de sabedoria e de inteligência. Existe um ciclo muito bonito aqui. O chamado traz responsabilidade, o talento traz desejo de aprender e a excelência honra a Deus. Quanto mais servimos com fidelidade, mais o chamado se confirma diante da igreja — não pelo aplauso, mas pela frutificação e obediência. E quanto mais o chamado se confirma, mais buscamos nos capacitar. Isso não é orgulho; é mordomia. Minha experiência na igreja e meu mestrado são essa unção em forma de preparo. Mas chamado, dom espiritual e capacidade natural não são a mesma coisa: Moisés foi chamado apesar da dificuldade de fala; muitos têm inclinação natural sem chamado ministerial; e o chamado precisa ser discernido e confirmado pela igreja (Atos 13:2-3), não apenas pela sensação pessoal ou pelo sucesso.
Por muitos anos, mulheres me perguntaram como conciliar o ministério, a família e o preparo intelectual. Minha resposta é simples: cada coisa no seu tempo, com prioridades claras e muita dependência de Deus. Houve épocas em que o cuidado com os filhos pequenos exigiu mais de mim. Em outras, a igreja precisou de mais atenção. E houve momentos em que o estudo roubou horas do meu descanso. Mas nunca me arrependi de investir em conhecimento. O preparo nos dá ferramentas para discernir melhor, para não sermos enganadas por modismos e para servir com mais eficiência.
Acredito que a Palavra de Deus nos mostra que o ensino não está limitado apenas ao pastor titular da igreja, mas sim àqueles que têm chamado, vida de testemunho e preparo para edificar o Corpo de Cristo — como Priscila e Áquila instruíram Apolo (Atos 18:26), sempre com submissão à igreja local. O mais importante não é o título, mas a fidelidade, o caráter e o alinhamento com a visão da igreja local.
Portanto, quando ensino sobre liderança, faço isso com temor diante de Deus, responsabilidade diante da igreja e com o compromisso de contribuir para a formação de líderes saudáveis, conscientes e bíblicos.